Envelheça com vitalidade

Dr. Lafayette de Azevedo Lage

A cada dia que passa, tenho atendido um número cada vez maior de pacientes com lesões articulares e musculares decorrentes da prática errônea de exercícios em academias.

Tenho enfatizado a importância de uma atividade física regular desde o início desta coluna, ou seja, desde janeiro de 2006. Insisto que esta atividade seja orientada por profissional habilitado, sendo recomendada para todas as idades e, inclusive a terceira idade, que tem crescido cada vez mais com o aumento da expectativa de vida.

Dados demográficos mostram que a maioria das nações ocidentais possuem grande número de idosos e, com a tendência crescente dessa população, aumenta também a preocupação com a qualidade de vida no envelhecimento.

Se nunca houve tanta chance de envelhecer como nos dias atuais, temos o grande desafio de permitir que o maior número de pessoas possa atingir a maior expectativa de vida possível com o mínimo de incapacidades.

Nesse contexto é importante que se pense na promoção da saúde do idoso, ações que se manifestam por alterações no estilo de vida e que resultem em uma redução do risco de adoecer e morrer. Dentre essas alterações de hábitos e costumes, a prática regular de atividade física representa o maior agente mobilizador de atitudes positivas perante às demais ações.

O envelhecimento é um processo múltiplo e complexo, mediado por fatores individuais (genéticos), doenças e estilo de vida. O pico de desempenho fisiológico no ser humano ocorre ao redor de 25 anos, paralelamente ao desempenho motor máximo. Com o avanço da idade, entretanto, há uma tendência à diminuição progressiva da eficiência motora. Como a função física é central para a maioria das atividades, é a eficiência física que permeia todos os aspectos de nossa vida. O envelhecimento físico nos afeta cognitiva, psicológica, social e espiritualmente. Felizmente, acredita-se que seja possível prevenir muito dessa perda e, até mesmo revertê-la pela detecção dessas fragilidades físicas juntamente com a introdução de atividades apropriadas.

Após os 60 anos, observa-se uma redução no peso corporal total. As quantidades de massa muscular e óssea são reduzidas, enquanto a porcentagem de gordura corporal tende a aumentar.

A perda de tecido ósseo nos homens é de cerca de 10% após 65 anos e de 20% após os 80 anos. Nas mulheres, a perda média está por volta de 20% aos 65 anos e 30% por volta dos 80 anos de vida.

Com o envelhecimento, há uma perda progressiva da massa muscular, o que leva a um declínio na força. A perda de massa muscular se inicia por volta dos 30 anos, se acentua aos 50, mostrando decréscimos de 15% por década aos 60-70 anos e 30% por década, após essa idade.

A diminuição da força parece estar associada a diversos fatores, entre eles a eficiência diminuída do movimento com decréscimo da atividade habitual. Atualmente já se reconhece que a redução da força muscular é o principal fator relacionado às quedas em idosos.

Quanto ao sistema articular, parece haver um decréscimo de aproximadamente 20% na amplitude do movimento entre as idades de 25 e 65 anos, sendo que essa deterioração acelera-se a partir do 65 anos.

A capacidade respiratória também sofre alterações com o processo de envelhecimento. Com relação à função cardiovascular, há um declínio de aproximadamente 20 a 30% do desempenho cardíaco até os 65 anos.

As alterações em componentes neurológicos e musculares são responsáveis pela maior lentidão na execução de ações motoras em idosos. Em geral, a maior lentidão, tanto no tempo de reação, como na velocidade de movimento, tende a ocorrer nas partes inferiores do corpo e ser mínima em áreas de uso mais freqüente.

A diminuição do equilíbrio em idosos está relacionada a vários fatores como limitações na amplitude articular, enfraquecimento da musculatura (que ocorre mais drasticamente nos membros inferiores), déficits de integração sensorial e perceptiva (acuidade visual, aumento do limiar perceptivo sendo necessária maior estimulação para os órgãos dos sentidos captarem informações).

Por todos os fatores expostos, para essa população especifica, o foco de um programa de exercícios deve ser o desenvolvimento de força, flexibilidade e do equilíbrio, capacidades que influenciarão diretamente nas tarefas básicas e instrumentais da vida diária.

A manutenção da massa muscular, através de exercícios de musculação, torna o idoso apto a realizar tarefas que exijam maior intensidade de forca, tais como subir escadas, carregar objetos, sentar e levantar de alturas mais baixas, dar pequenos piques.

A flexibilidade, mantida a partir dos exercícios de alongamento, permite maior amplitude de movimentos, interferindo também positivamente em tarefas cotidianas como lavar-se, vestir-se e amarrar sapatos.

O equilíbrio é otimizado a partir do ganho de massa muscular e flexibilidade, mas também pode ser trabalhado em exercícios específicos, enfatizando os aspectos perceptivos em posições estáticas ou dinâmicas.

Finalizando, devemos propor que os exercícios físicos para idosos sejam sempre acompanhados por um profissional da área de educação física ou um fisioterapeuta, profissionais estes com conhecimento de anatomia, fisiologia e biomecânica. Tais conhecimentos são essenciais e obrigatórios na prevenção de lesões iatrogênicas, isto é, causadas pela prática de exercícios inadequados para aquela articulação ou certo grupo de músculos. que promova estímulos adequados de modo a permitir rápida melhora na aptidão física. Os ganhos obtidos com os exercícios físicos bem orientados, independem da idade, podendo os idosos obter ganhos proporcionalmente semelhantes ás pessoas jovens.

—–
Colaborou na elaboração desse texto a profissional Simone Diniz, graduada em Educação Física pela USP e Personal Trainer da Clínica Lage.

This entry was posted in Artigo and tagged , , , , , , , . Bookmark the permalink.

Comments are closed.